A iniciativa promove a valorização da memória socioambiental ao resgatar mais de 30 anos de trajetória da cooperativa, sediada em Mesquita, na Baixada Fluminense.
O recém-inaugurado Centro de Memória As Carolinas de Jacutinga tem como propósito preservar a memória de mais de três décadas de atuação socioambiental da cooperativa de coleta seletiva Coopcarmo, em Mesquita, na Baixada Fluminense. O espaço funciona na sede da cooperativa, no bairro de Jacutinga, e está aberto ao público para visitações e ações educativas, promovendo também atividades culturais ao longo de todo o ano.
O Centro integra o projeto As Carolinas de Jacutinga, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental e é fruto de um esforço coletivo que busca divulgar a história da Coopcarmo e de suas colaboradoras, bem como sua relação com o bairro de Jacutinga e seus moradores. Hada Rúbia, fundadora da Coopcarmo, conta que um dos principais desafios enfrentados para a realização do projeto foi a conservação do acervo da cooperativa diante das frequentes enchentes que atingem a região. A situação motivou parcerias, como a estabelecida com o Museu da Maré, reconhecido por sua experiência na preservação de acervos em territórios vulneráveis.
“As transformações e os desafios sociais e ambientais vividos no nosso bairro também inspiram o Centro de Memória. Temos um passado marcado por muita luta, e essa luta continua, presente no dia a dia das mulheres da cooperativa, em sua maioria moradoras de Jacutinga. Manter essa memória viva é fundamental para reconhecer e valorizar a história de quem está na linha de frente da preservação do meio ambiente e que, muitas vezes, não tem seu trabalho reconhecido”, diz Hada.
O Centro de Memória As Carolinas de Jacutinga conta também com um acervo digital, voltado à preservação da memória institucional da Coopcarmo. Já o espaço físico abriga uma linha do tempo construída com objetos e imagens do acervo da cooperativa, desenvolvida durante oficinas com artesãos do projeto e artistas convidados.
A iniciativa reafirma o direito à memória como um patrimônio vivo e acessível, valorizando a identidade das trabalhadoras da reciclagem por meio da história oral, escrita e das experiências comunitárias. Com mais de 30 anos de atuação no reaproveitamento de resíduos, Marilza Reis Arariba, atual presidente da Coopcarmo, destaca que ações como essa são fundamentais para reconhecer e dar visibilidade ao trabalho das catadoras.
“Registrar essas trajetórias é garantir o direito à memória. Agora, as futuras gerações podem conhecer suas raízes e as histórias de suas mães e avós. Nosso trabalho na Coopcarmo ajudou na inclusão de muitas mulheres negras, como eu, que sofremos muito com o preconceito e discriminação. Hoje me sinto valorizada por ter minha história contada e reconhecida. E ainda tem muita história pela frente”, afirma.
Visitação:
Sede da Coopcarmo:
Rua Guarani, 405 – Jacutinga, Mesquita/RJ
Horário: 10 às 15h
Agendamento: contato@coopcarmo.com