As Carolinas de Jacutinga é um projeto de base comunitária que entrelaça sustentabilidade, memória viva e protagonismo feminino no território periférico de Jacutinga, em Mesquita/RJ. A iniciativa nasce da força histórica da Coopcarmo — cooperativa de catadoras fundada em 1993 — e avança como resposta criativa e resiliente aos desafios sociais intensificados pela pandemia de Covid-19.
Inspirado na figura de Carolina Maria de Jesus, mulher negra, catadora, escritora e símbolo de dignidade insurgente, o projeto amplia as ações da cooperativa com a implantação da Estação Produtiva de papel artesanal (RePapel) e a oferta de oficinas em arte, educação ambiental e memória social. As Carolinas não aceitam ser vistas como “quarto de despejo da cidade”: elas se reinventam como autoras de seus próprios destinos e construtoras de futuros possíveis.
A Coopcarmo foi fundada por mulheres em situação de vulnerabilidade que, diante do abandono estrutural e da falta de oportunidades, criaram uma alternativa digna de geração de renda a partir da coleta seletiva solidária. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como referência em economia solidária, gestão comunitária e protagonismo feminino na Baixada Fluminense.
Durante a pandemia, com a queda drástica da renda e a paralisação das atividades, emergiu a necessidade urgente de reconstruir o trabalho e fortalecer os vínculos comunitários. Assim nasceu o projeto As Carolinas de Jacutinga, evocando não apenas o nome da escritora Carolina Maria de Jesus, mas seu legado de luta, criação e dignidade como horizonte ético e estético. O projeto articula trabalho, arte, educação ambiental e memória em favor da justiça socioambiental e da autonomia das mulheres do território.
Implantação de unidade produtiva de papel artesanal com reaproveitamento de resíduos, gerando renda, saberes e produtos sustentáveis.
Ações formativas em colagem, pintura, encadernação, mosaico, assemblagem e design com materiais recicláveis, valorizando talentos locais.
Encontros interativos que abordam reciclagem, consumo consciente e território como espaço educativo.
Espaços de escuta, autobiografia e produção de narrativas inspiradas na obra de Carolina Maria de Jesus.
Apresentações públicas das produções do projeto, fortalecendo a autoestima coletiva e o vínculo com o território.
Encontros com foco no bem-estar emocional, pertencimento e fortalecimento da rede entre as mulheres.
Criação de podcasts, boletins e vídeos sobre as ações do projeto.